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Fonte: Cenário MT

04/07/2014 – O mês de junho apresentou uma retração de 0,84% na cotação da saca de 50 quilos de arroz em casca (58×10) no Rio Grande do Sul, segundo o indicador Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa. No último dia do mês o cereal, colocado na indústria, foi avaliado em R$ 36,47. No primeiro dia de julho, nesta terça-feira, os preços alcançaram R$ 36,23, com mais uma queda de 0,66%, representando praticamente ¾ de toda a redução ao longo de junho. Para boa parte dos analistas, esse movimento de queda está associado ao efeito “Copa do Mundo”, quando já era esperada uma ligeira queda no consumo.

 

Mas, também há outros fatores interferindo na formação de preços no Sul do Brasil: em primeiro lugar, as indústrias têm sérias dificuldades para repassar as cotações do casca ao varejo, mantendo sua margem de lucro. O próprio varejo vem resistindo não só a aceitar as altas acumuladas até maio, mas também vem forçando a compra somente por valores mais baixos. E algumas indústrias, especialmente de pequeno porte, aceitam essas condições e acabam interferindo em todo o mercado, mesmo que seja para garantir apenas por algumas semanas ou meses uma posição nas gôndolas. A esperança é garantir contratos mais longos, o que raramente acontece.


De outra banda, é recorrente a informação de que tradings e operadores estão com dificuldades para fechar novos contratos de exportação, especialmente para a América Central, Caribe e América do Sul, devido à forte concorrência não só do Mercosul, mas especialmente dos Estados Unidos, que começa a colher uma grande safra em agosto. A situação ocorre não apenas no grão beneficiado, mas também no cereal em casca.

 

O país norte-americano, após duas safras frustradas por fatores climáticos e a concorrência de área de arroz com o milho e a soja, terá uma boa colheita e seus agentes já trabalham desde maio com mais força na negociação de contratos de exportação para estes mercados, em competição direta com o Brasil. Apesar de ter problemas de qualidade pela mistura de diversos padrões de grãos em parte de suas cargas, o que deprecia o produto estadunidense, o país da Norte América, tem algumas vantagens sobre o cereal brasileiro nesta região: o histórico de grande fornecedor, a excelente e competitiva estrutura de logística, os subsídios aos agricultores e agentes de exportação, que propicia competitividade também no preço, e a fidelidade de alguns clientes.

 

No Brasil, por sua vez, o câmbio é o fator determinante para assegurar novos contratos para esta região, embora devam se manter as exportações de arroz quebrado para a África e alguns nichos de mercado. Investimentos em logística são fundamentais para o Brasil manter-se ativo como exportador do cereal. Se por um lado os preços internos em ligeira queda representam alguma perda ao produtor, combinados com o comportamento do câmbio, podem se tornar a base de uma recuperação num futuro bem próximo. Na medida em que os preços internos caem, tornam-se mais atraentes e competitivos para as vendas externas.

 

De sua parte, o governo federal estabeleceu um grupo técnico para estudar a definição do Preço Mínimo do Arroz para a próxima safra e o Preço de Liberação de Estoques (PLE), adiando a expectativa de que haja vendas de arroz dos estoques oficiais em curto prazo. Apesar do valor atual de mercado estar até 25% acima do PLE do ano passado, o governo vem considerando que os produtores têm o direito de rentabilizarem sua safra nestes patamares, que estão dentro da realidade, sem que ocorra uma intervenção. Além disso, com a retração em junho, os defensores de medidas para “conter a inflação” também se acalmaram.

 

Os produtores estão com toda a atenção atual voltada para o clima e o preparo antecipado das lavouras de arroz, além da soja e do milho em várzea. A preocupação está direcionada ao fenômeno climático El Niño, que exige cuidados especiais para o excesso hídrico. O ciclone extra-tropical que atingiu o estado na última semana causou danos importantes na Depressão Central, especialmente na linha entre os municípios de Santa Cruz do Sul e Santa Maria, afetando de maneira mais grave as várzeas de Cachoeira do Sul, Cerro Branco, Novo Cabrais, Candelária, Paraíso do Sul, Restinga Sêca, Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, São João do Polêsine, Itaara, Silveira Martins, Santa Maria, Vera Cruz, Rio Pardo, Pântano Grande, São Sepé, São Pedro do Sul e Formigueiro. As enxurradas e alagamentos causaram erosão e destruição de quadros que já estavam prontos, de canais de irrigação e drenagem, entre outros.

 

A Federarroz mantém a posição de que os produtores não devem ampliar a área semeada na safra 2014/15 para não ampliar a oferta, o que reduziria os preços no mercado na próxima temporada.

 

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 36,00 para a saca de 50kg do arroz em casca (58×10) no Rio Grande do Sul, e R$ 70,00 para o saco de 60 quilos de arroz branco. Ambos com ligeira queda sobre a última quinzena. Entre os quebrados, o canjicão é cotado a R$ 38,00 e a quirera R$ 37,00, ambos em sacas de 60 quilos e com preços estáveis frente à demanda por exportação. Já o farelo de arroz manteve-se em R$ 340,00 a tonelada, posto no pólo de avicultura e suinocultura de Arroio do Meio (RS).